Às vezes tem que doer como nunca, para não doer nunca mais.
Lembro-me da primeira vez que vi um rapaz que eu gostava, feliz ao lado de outra rapariga que não era eu. Foi um choque, uma dor. Mas uma dor diferente... uma dor de libertação, uma dor de verdade.
E nós fugimos dessa dor. Preferimos a ilusão. Lembro-me de quando o meu avô morreu, e eu sentia duas dores diferentes. A dor do velório e a dor do enterro.
A dor do velório era aguda mas suportável. Eu tinha o corpo do meu avô ali. Não me sentia muito sozinha e muita gente permanece ao lado dos cadáveres que restaram das suas relações, dos seus sonhos, dos seus amores.
Mas essa ilusão custa caro porque aquele defunto não sorri, não abraça e só quem já foi beijado por quem amava sabe o gosto de um beijo póstumo.
A dor do enterro era inimaginável, era como vomitar e a ânsia só cessa quando estamos curados. O ser humano tem a necessidade de sobreviver, mesmo após enterrar uma parte de si.
A dor do enterro, foi a dor da libertação. Aceitação.
Às vezes algumas dores atingem o seu ponto máximo mas com ela vem a resistência e tu sabes que dali em diante nenhuma dor menor te vai atingir.
Aí tu amadureces.
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